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Sobre o Estilo

by em novembro 4, 2011

A velocidade, a maior das belezas de Marinetti, obriga-nos a fazer tudo apressadamente. Temos pressa e falta tempo a tudo; não seria estranho, nesse contexto, que se tornassem comuns as generalizações rápidas, baseadas em informações incompletas. Os textos, em geral, quando são lidos, comumente são julgados pelas primeiras páginas. Isso até não está totalmente errado; como o autor lida com as primeiras páginas de sua obra em muito revelam sobre como ela será encaminhada. Seu estilo, sua maneira de transmitir seus pensamentos serão constantes até o final da obra – ou pelo menos assim esperamos. É, portanto, seguro dizer que se não lhe foi de agrado algum as primeiras linhas de certo autor, também não serão as outras que as seguirem.

Schopenhauer, em Parega e Paralipomena, comenta desta distinção da literatura: a partir do estilo é possível saber como o autor pensa. Todavia, é outra asserção dele que aqui interessa. “O estilo é a fisionomia do espírito. E ela é menos enganosa do que a do corpo. Imitar o estilo alheio significa usar uma máscara. Por mais bela que esta seja, torna-se pouco depois insípida e insuportável porque não tem vida, de modo que mesmo o rosto vivo mais feio é melhor do que ela.” Esta ideia central é essencial. Pois, nada mais comum do que escritores imitando outros; ou melhor, escritores ainda iniciantes tentando imitar algum gênio literário. Com efeito, todo escritor diletante está acorrentado a algum grande escritor. Quem já o vivenciou sem dúvida terá mais facilidade em assimilar esta ideia. Quando depois de um ou dois livros do Saramago, passa-se a escrever frases longas, intrincadas, com um narrador participativo um tanto irônico, etc.

Um dos grandes problemas é não compreender que o estilo, mais do que a voz do autor (ou dos personagens, agora que estamos falando de romances). Há uma função específica para aquela voz. Graciliano Ramos faz o deleite dos leitores que buscam estruturas complexas. Mas não o faz em seus romances, somente em seus ensaios. A primeira pessoa, tanto empregada por ele, obriga-o a se transpor da posição de autor para a personagem que ele cria. Paulo Honório ganha vida justamente por seu estilo de escrita e fala. Em verdade, todo o romance, por estar em conformidade com o estilo, passa a ser mais real – o estilo tem propósito e serve à obra. Grandes autores não escrevem como escrevem por mero acaso. Há uma intenção na forma como dispõem as palavras.

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