Quantificação
Acompanhar o progresso de leituras foi sempre tarefa ardilosa. É preciso muito mais do que contar o número de livros ou mesmo o de páginas lidas. Diferentes fontes, tamanhos de páginas e, sobretudo, de qualidade de leitura fazem da quantificação do progresso de leituras um desafio. Por mais que pense não chego a conclusão satisfatória: se leio pouco, mas bem, sinto que li insuficiente; de certa forma, é difícil desprender-se de imediato da necessidade de apresentar números grandes ao final de certo período de tempo. É como a vida acadêmica, que se preocupa com números e letras finais e não com o aprendizado.
Talvez seja algo tanto mais social do que próprio – de mim – estas questões. Chegar ao final das férias tendo lido dezesseis livros seria revigorante em dois sentidos. Primeiro seria auto-reforçador, após um péssimo segundo semestre de 2011. Em segundo lugar, amansaria alguma necessidade de provar algo a alguém.
É, com efeito, um reducionismo vexaminoso transformar a experiência da leitura em alguma tabela com um certo número de páginas a serem lidas em tanto tempo. Assim como tantos outros; subdividimos a percepção humana, a condição humana e mesmo a ação humana em míseros pedaços não-informacionais, como se fosse certo assim fazer. Desintegra-se todo fenômeno em suas partes menores e espera-se, examinando cada singular efeito, ter noção plena do todo. Isso incomodaria-me menos se não fosse vigente em todo sistema de pensamento atual.
Enquanto isso sigo imaginando se a real face interior de cada pessoa é tão frágil quanto atualmente a faço.